30/06/2009 ANDEBOL ABC Jorge Rito: "Emocionalmente foi um ano difícil de gerir"
No pavilhão houve lágrimas que, muito para além da alegria na conquista de uma Taça de Portugal, significaram o desfazer de um grupo. Jorge Rito esteve no epicentro das emoções e, a O JOGO, revelou que "aqueles momentos foram ainda mais importantes que a conquista do troféu". Um balanço de uma época que, no entender do técnico do ABC, esteve longe de ser desastrosa.
- A Taça de Portugal salvou a época do ABC? Não. Na Liga correram mal dois jogos com o Sporting, perdemos fora com o SC Horta e em casa com o Águas Santas. No fim, com o Belenenses, foram 20 minutos que nos tiraram o quinto lugar, talvez porque a motivação de jogadores pouco habituados a jogar para aquele lugar o impedisse. Nos 22 anos em que aqui estou, vivi os meus piores momentos a seguir a esse jogo. Fiquei desolado pela forma como os jogadores foram tratados por algumas pessoas que vêm a este pavilhão. Nunca tinha sentido isso, esquecem-se que, com orçamentos muito inferiores à década de 90, mantivemos o nível. Em seis finais ganhámos quatro.
- Mesmo assim não foi brilhante... Não, mas foi um ano atípico, com as lesões que se avolumaram no play-off. Foi um ano emocionalmente difícil de gerir, nunca tive um igual, com lesões e saídas. Os festejos da Taça foram um misto de sentimentos, o libertar de emoções contidas nos últimos tempos.
- Quer ser seleccionador? Ao que se lê, o seleccionador renovou, por isso essa questão não se coloca.
- Mas pode haver um desejo... Todos sonham com isso. Já estive nas selecções e acho que fiz um trabalho interessante, tenho boas recordações. Confesso que gostaria de experimentar as emoções de ouvir o hino nacional nessa posição, em fases finais ou apuramentos. Gostaria de experimentar porque sempre que vejo isso penso nessa emoção. Mas, enquanto treinador de um clube dos que mais jogadores fornecem às selecções continuarei a colaborar, com todo o gosto, com os que lá estão.
- E orientar um dos chamados três grandes? Aceitaria o Ciudad Real ou o Barcelona, mas não me convidaram [risos]... Quanto aos portugueses, tive convites de outros clubes, mas não suficientemente aliciantes do ponto de vista desportivo e financeiro. Se me convidassem, significava que reconheciam o meu trabalho, mas nunca aconteceu e seria estranho mudar de equipamento. Há algo que sei: não vou ficar para sempre no ABC, mas sou treinador porque o ABC me deu essa hipótese, e disso não me esqueço.
- Diz-se que a situação económica do ABC está péssima... Ninguém imagina o esforço do presidente e da sua equipa para que possamos respirar. Não sabemos mais o que fazer para que a cidade de Braga tenha vontade de ajudar o ABC. Desportivamente não podemos fazer mais e melhor. Mesmo que tenha um plantel de juniores, começarei a época a dizer que lutaremos para o quarto lugar. No futebol não é possível estar entre os grandes, aqui sempre estivemos. Precisamos de trabalhar mais, para nos autofinanciarmos, mas cada vez é mais difícil.
- Os "grandes" têm contratado muito, têm mais poder económico? Corremos o risco de um dia ficarem a jogar sozinhos. Basta ver o que acontece com as contratações que têm feito. Algumas contratações são uma loucura e as outras equipas acabarão por definhar. Não teremos Boskos, Petrics ou Humbertos, mas teremos o aliciante de poder formar mais valores. Dá mais trabalho e cabelos brancos, mas também há mais amor à camisola.
Fonte: OJOGO
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